08 abril, 2019

Aurelina Haydée do Carmo

CUIABÁ

CUIABÁ!  Nós te amamos,
Do PORTO à CIDADE
Da 15 de NOVEMBRO
À avenida GETÚLIO VARGAS.

Assim diziam os pioneiros,
Mas a cidade expandiu,
Bairros e mais bairros foram surgindo .
Como num piscar de olhos explodiu.

CUIABÁ,  és nosso encanto
Tem características próprias

Bem aí está o PANTANAL
E mais ali está a CHAPADA

CUIABÁ ! logo, logo completará
Trezentos anos de existência
E o povo de todo PLANETA
Chega sem pedir licença.

Nem precisa, pois tem espaço prá todos
Estamos no CENTRO GEODÉSICO da AMÉRICA do SUL
Bem vindos são :
Os do Norte, Nordeste, Oeste, Leste e Sul.

Rios piscosos temos
Frutas nas ruas e quintais aos montões
Aqui todos dão as mãos
Por isso atrai multidões

CUIABANO é povo amigo
Recebe de braços abertos
Todos que procuram abrigo.
Venham...que aqui tudo dá certo.

Ah! CUIABÁ
Como gostamos de você!
Por isso aqui estamos

E, aqui queremos viver.
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Professora Aurelina Haydêe do Carmo - Aposentada do Departamento de Antropologia da UFMT.

01 abril, 2019

Aurelina Haydee do Carmo

Doce Bom, Furrundu


Saudades do tacho de cobre
Lavado com vinagre e sal
Tirando todo zinabre
Amarelo como o sol

Vamos ao quintal
Mamão macho, mamão
fêmea, talo de mamão
Tanto faz, ralo, ralo até doê a mão
No ralador que ninguém tem igual

Pouca lenha, pouco fogo
Colher de pau, nenhuma fumaça
O Doce ficou famoso
Pois o perfume ameaça

Uma colherada por vez
Ninguém resiste
Prova uma, prova duas, prova três
Fica triste, não, ninguém desiste

Do Porto à Cidade
Eta cheirinho bom
O lambe beiço não é novidade
É mais gostoso que um bombom

Caminhei toda a prainha
Na companhia de minha madrinha
Quando vinha, atravessei o Campo do Bode
Vê se pode. Parei na Bispo, só prá bispar.

O cheiro era um só e comecei a enxergar
Avistei Rua de baixo, Rua do Meio, Rua de Cima.
Que felicidade, encontrei na cidade
O Furundu que me anima

27 março, 2019

Luisa

Sobre o Rio
Descem remos sofridos...
No arvoredo verde à dura sombra,
crespas ondulações que as violas tangem
cadenciando as remadas...
Barcos temporais do destino ignoto.
Acordes que acordam a lua de prata com
música 

19 março, 2019

Antônio Peres Pacheco

Haikais Perdidos I


Um drink,
Um falso sorriso
Amores casuais à espreita.

03 março, 2019

Santiago Villela Marques


Pela metade 


A vontade que aqui me guiou
nunca me quis terminado:
sempre me opôs ao que sou...
e ao lado que fez, outro lado.
Nunca me deu a certeza
de ser por inteiro o que fiz:
metade de mim fez tristeza
e a outra metade feliz.

20 fevereiro, 2019

13 fevereiro, 2019

Sérgio Fernandes

Prazer... prazer... prazer...  prazer... prazer...
Seio cósmico! Bundas nucleares: Pênis capitalistas!
Cópulas da fome! Anus dos agrotóxicos!

11 fevereiro, 2019

Eduardo Ferreira


face a face
o destino rasga
a carne dos desejos
e tece a vida
em laços
pedaços geométricos
de incertezas...

07 fevereiro, 2019

Santiago Villela Marques


Poema Oculto 


Dos versos que fiz, o melhor
é aquele que não vou escrever,
que, por medo ou excesso de pudor, ...
de um aborto espontâneo quis morrer,
pra não ter que falar da minha dor
e ocultar na palavra o que é sofrer.

06 fevereiro, 2019

02 fevereiro, 2019

Luciene Carvalho

Canção Noturna para Marielle Franco

Que tiro foi esse???

Que tiro foi esse???

Perguntava alienado meu país

Que tiro foi esse???

Acaso querem que eu creia

Que fosse bala perdida

4 na mesma cabeça

Calando a voz e a vida?

Foi só mais uma morte

Em meio a tantas outras?

Ledo engano...

Essa negra, há 2 anos

Era voz de 46 mil votos

Eco de milhões de outros

01 fevereiro, 2019

(Carioca)

Identidade
O pobre passa a vida
respondendo “sou eu”
enquanto o rico,
a cada gesto,
revela seu rosto,
seu jeito,
seu gosto,
seu gasto
e afirma: “Eu sou!”

28 janeiro, 2019

Antônio Peres Pacheco

Fogo e Sangue


Arde em meu peito a chama
Da esperança resiliente
Enquanto meus pés marcham
Ao som de taróis e clarinetes 
- Rumo às trincheiras das praças
Minha alma inquieta indaga em silêncio
Quanto de miséria e fome
Ainda se espalharão na terra,
Antes que se satisfaçam
Com nossas carnes e vidas 
Estes animais infames?
Nas mãos trago minhas armas

03 janeiro, 2019

Santiago Villela Marques

O Outro

Mora um homem em mim
que nunca em mim se fará.
Chora por vir aonde vim...
e querendo por mim morrerá.
Fez-nos a vida assim,
um para o outro ocultar.

07 dezembro, 2018

Pedro Trouy


OUTRORA


Da primavera ao sol, que além se erguia,
Como uma hóstia de luz em pleno espaço,
Nós nos amamos... que profundo laço
Nossas almas em flor então unia!

Teu lábio tinha auroras de alegria,
Rosas tinha o vergel, e no terraço
Trilavam passarinhos ... Como escasso,
Fugindo, pouco a pouco o tempo ia!

05 dezembro, 2018

José Zeferino de Mendonça

SONETO

Vosso nome será sempre lembrado
enquanto em Cuiabá houver viventes
passando de umas gentes a outras gentes
a fama do varão o mais honrado

No Foro tendes vós perpetuado
instruções sábias, justas e prudentes;
e nos pleitos deixais todos contentes.
pois sabem que só a bem sois inclinado.

03 dezembro, 2018

Santiago Villela Marques

Primeiro 


O fim primeiro que tudo,
um jeito de acabar o mundo
feito um deus enjeitado ...
anjo aturdido
e atirado ao fogo de seu próprio abismo e castigo.
O naufrágio de toda firmeza
antes de elevarem-se as terras
que homem possa pisar
como nuvens e águas.
A morte primeiro que as outras
— abrir de estradas num fechar de olhos
— mão no solo sagrado do outro
não para o roubo da flor
mas de entrega do novo grão
e de cinco dedos na alma
como no chão da primavera
as raízes da promessa.

01 dezembro, 2018

José Tomás de Almeida Serra


Câmara de Virgem

Quando a luz do luar bate-lhe em cheio
Nas formas de primor escultural,
Julgo fitar a Vênus sensual,
Num langue, voluptuoso devaneio...

Na suave ondular do lindo seio,
Julgo ouvir uma música ideal,
Que me transporta à plaga celestial
De uma aurora louçã ao bruxuleio.

Indalécio Leite Proença


Se a Bahia é boa terra,
Mato Grosso inda é mio;
Pau-rodado cria proa,
Furta bem, enche o bocó.

Dom Benito já tá feito;
É sapão de Tês Lagoas
A questão é só de jeito
Pois o resto vai à toa...

Decorrido argum tempinho,
Ele vai pra Relação
Salvo se no seu bentinho,
Não tivé mais devoção.

29 novembro, 2018

Frederico Augusto Prado D’Oliveira

Pensando em ti

Quando me lembro que por um instante
ocupei teu ingênuo pensamento,
e traindo talvez teu sofrimento,
fiz corar teu angélico semblante:

quando penso que num feliz momento
logrei prender o teu olhar brilhante,
e que por mim pulsou teu inconstante
coração juvenil, de amor isento;

27 novembro, 2018

Antônio Tolentino de Almeida


Cor Lapidis

Se a mágoa que me fere, assim sanhuda,
Um termo não tivesse, pra curá-la,
Bastava apenas escutar-te a fala,
Se não falasses ... ver-te, embora muda:

Pensava assim. Mas, entretanto, cala
A mesma dor no coração aguda;
O teu sorriso o meu sofrer muda,
O teu desdém somente apunhala.

25 novembro, 2018

Antônio Gonçalves de Carvalho

Flor de Neve


Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, gerada
Da fria viração ao tênue sopro
À luz da lua, aos beijos duma fada.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, mais bela
Que brilhando na eterna imensidade
Fanal de amor, - adamantina estrela.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor tão pura!
Ah teriam em ti achado os homens
O símbolo do mais cândida ventura! 

23 novembro, 2018

Antônio Cláudio Soído


MILAGRE


Quando, senhora, vos envio ou dou-vos
Tão escuro presente,

Que idéia tive eu, que pensamento
Me atravessou a mente?

Do vegetal combusto oferecer-vos
Pulverulenta quarta!...

Mas deixai-me falar e, após, senhora,
Ride até ficar farta.

21 novembro, 2018

Amâncio Pulcherio de França

Outrora e Hoje

Meu Deus, que gelo, que frieza aquela! C. de Abreu

Meu Deus, que gelo que frieza aquela,
Que indiferença nos olhares seus
Vejo outra nuvem no horizonte de hoje,
Negra coberta nos azuis dos céus!

Tivera flores meu jardim de outrora,
Tivera rosas de perfume eterno,
Mas hoje as flores sem aroma, secas,
Parecem flores do jardim do inverno.

19 novembro, 2018

Danilo Zanirato

Vida não Morte


A vida parada
ainda não morte
(pulsão de vida
 ainda que amarga)

a morte (sempre) chegando
ainda não morte
(pulsão de morte
 inevitável, indolor, inconsciente,
 sublime)

Sobre gravatas e Edgar Allan Poe

Quem tem medo de Eduardo Mahon
Não sai de gravata borboleta
Procurando pontos e vírgulas
Nem tasca uma palha na madrugada serenata

Quem tem medo de Eduardo Mahon
Observa, se esconde atrás da lombada
Do livro imprenso em legítimo cuiabanês

04 novembro, 2018

Santiago Villela Marques


Santiago Vilella Marques (*07, 02/1967 – 03/11/2018) também professor da Unemat, (pseudônimo de Paulo Sérgio Marques) nasceu na capital paulista e mora em Mato Grosso. Publicou Correspondências (Contos, 2012), Sósias (Contos, 2015),  os livros de poesia Primeiro (2004), Outro (2008) e Três tigres trêfegos (2010, coautoria com Juliana Roriz Aarestrup e Henrique Roriz Aarestrup Alves),  Ângulo bi (2002, coautoria com Marcelina Oliveira, Paulo Sesar Pimentel e Gisele Mocci).