20 fevereiro, 2019

Mourivaldo Santiago


...NUVEM – CAMA...
... ÁGUA – LICOR...
...PÁSSAROS – VITROLA...
EM NÓS O AMOR SE ENROLA...

13 fevereiro, 2019

Sérgio Fernandes

Prazer... prazer... prazer...  prazer... prazer...
Seio cósmico! Bundas nucleares: Pênis capitalistas!
Cópulas da fome! Anus dos agrotóxicos!

11 fevereiro, 2019

07 fevereiro, 2019

Santiago Villela Marques


Poema Oculto 


Dos versos que fiz, o melhor
é aquele que não vou escrever,
que, por medo ou excesso de pudor, ...
de um aborto espontâneo quis morrer,
pra não ter que falar da minha dor
e ocultar na palavra o que é sofrer.

06 fevereiro, 2019

02 fevereiro, 2019

Luciene Carvalho

Canção Noturna para Marielle Franco

Que tiro foi esse???

Que tiro foi esse???

Perguntava alienado meu país

Que tiro foi esse???

Acaso querem que eu creia

Que fosse bala perdida

4 na mesma cabeça

Calando a voz e a vida?

Foi só mais uma morte

Em meio a tantas outras?

Ledo engano...

Essa negra, há 2 anos

Era voz de 46 mil votos

Eco de milhões de outros

01 fevereiro, 2019

(Carioca)

Identidade
O pobre passa a vida
respondendo “sou eu”
enquanto o rico,
a cada gesto,
revela seu rosto,
seu jeito,
seu gosto,
seu gasto
e afirma: “Eu sou!”

28 janeiro, 2019

Antônio Peres Pacheco

Fogo e Sangue


Arde em meu peito a chama
Da esperança resiliente
Enquanto meus pés marcham
Ao som de taróis e clarinetes 
- Rumo às trincheiras das praças
Minha alma inquieta indaga em silêncio
Quanto de miséria e fome
Ainda se espalharão na terra,
Antes que se satisfaçam
Com nossas carnes e vidas 
Estes animais infames?
Nas mãos trago minhas armas

03 janeiro, 2019

Santiago Villela Marques

O Outro

Mora um homem em mim
que nunca em mim se fará.
Chora por vir aonde vim...
e querendo por mim morrerá.
Fez-nos a vida assim,
um para o outro ocultar.

07 dezembro, 2018

Pedro Trouy


OUTRORA


Da primavera ao sol, que além se erguia,
Como uma hóstia de luz em pleno espaço,
Nós nos amamos... que profundo laço
Nossas almas em flor então unia!

Teu lábio tinha auroras de alegria,
Rosas tinha o vergel, e no terraço
Trilavam passarinhos ... Como escasso,
Fugindo, pouco a pouco o tempo ia!

05 dezembro, 2018

José Zeferino de Mendonça

SONETO

Vosso nome será sempre lembrado
enquanto em Cuiabá houver viventes
passando de umas gentes a outras gentes
a fama do varão o mais honrado

No Foro tendes vós perpetuado
instruções sábias, justas e prudentes;
e nos pleitos deixais todos contentes.
pois sabem que só a bem sois inclinado.

03 dezembro, 2018

Santiago Villela Marques

Primeiro 


O fim primeiro que tudo,
um jeito de acabar o mundo
feito um deus enjeitado ...
anjo aturdido
e atirado ao fogo de seu próprio abismo e castigo.
O naufrágio de toda firmeza
antes de elevarem-se as terras
que homem possa pisar
como nuvens e águas.
A morte primeiro que as outras
— abrir de estradas num fechar de olhos
— mão no solo sagrado do outro
não para o roubo da flor
mas de entrega do novo grão
e de cinco dedos na alma
como no chão da primavera
as raízes da promessa.

01 dezembro, 2018

José Tomás de Almeida Serra


Câmara de Virgem

Quando a luz do luar bate-lhe em cheio
Nas formas de primor escultural,
Julgo fitar a Vênus sensual,
Num langue, voluptuoso devaneio...

Na suave ondular do lindo seio,
Julgo ouvir uma música ideal,
Que me transporta à plaga celestial
De uma aurora louçã ao bruxuleio.

Indalécio Leite Proença


Se a Bahia é boa terra,
Mato Grosso inda é mio;
Pau-rodado cria proa,
Furta bem, enche o bocó.

Dom Benito já tá feito;
É sapão de Tês Lagoas
A questão é só de jeito
Pois o resto vai à toa...

Decorrido argum tempinho,
Ele vai pra Relação
Salvo se no seu bentinho,
Não tivé mais devoção.

29 novembro, 2018

Frederico Augusto Prado D’Oliveira

Pensando em ti

Quando me lembro que por um instante
ocupei teu ingênuo pensamento,
e traindo talvez teu sofrimento,
fiz corar teu angélico semblante:

quando penso que num feliz momento
logrei prender o teu olhar brilhante,
e que por mim pulsou teu inconstante
coração juvenil, de amor isento;

27 novembro, 2018

Antônio Tolentino de Almeida


Cor Lapidis

Se a mágoa que me fere, assim sanhuda,
Um termo não tivesse, pra curá-la,
Bastava apenas escutar-te a fala,
Se não falasses ... ver-te, embora muda:

Pensava assim. Mas, entretanto, cala
A mesma dor no coração aguda;
O teu sorriso o meu sofrer muda,
O teu desdém somente apunhala.

25 novembro, 2018

Antônio Gonçalves de Carvalho

Flor de Neve


Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, gerada
Da fria viração ao tênue sopro
À luz da lua, aos beijos duma fada.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, mais bela
Que brilhando na eterna imensidade
Fanal de amor, - adamantina estrela.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor tão pura!
Ah teriam em ti achado os homens
O símbolo do mais cândida ventura! 

23 novembro, 2018

Antônio Cláudio Soído


MILAGRE


Quando, senhora, vos envio ou dou-vos
Tão escuro presente,

Que idéia tive eu, que pensamento
Me atravessou a mente?

Do vegetal combusto oferecer-vos
Pulverulenta quarta!...

Mas deixai-me falar e, após, senhora,
Ride até ficar farta.

21 novembro, 2018

Amâncio Pulcherio de França

Outrora e Hoje

Meu Deus, que gelo, que frieza aquela! C. de Abreu

Meu Deus, que gelo que frieza aquela,
Que indiferença nos olhares seus
Vejo outra nuvem no horizonte de hoje,
Negra coberta nos azuis dos céus!

Tivera flores meu jardim de outrora,
Tivera rosas de perfume eterno,
Mas hoje as flores sem aroma, secas,
Parecem flores do jardim do inverno.

19 novembro, 2018

Danilo Zanirato

Vida não Morte


A vida parada
ainda não morte
(pulsão de vida
 ainda que amarga)

a morte (sempre) chegando
ainda não morte
(pulsão de morte
 inevitável, indolor, inconsciente,
 sublime)

Sobre gravatas e Edgar Allan Poe

Quem tem medo de Eduardo Mahon
Não sai de gravata borboleta
Procurando pontos e vírgulas
Nem tasca uma palha na madrugada serenata

Quem tem medo de Eduardo Mahon
Observa, se esconde atrás da lombada
Do livro imprenso em legítimo cuiabanês

04 novembro, 2018

Santiago Villela Marques


Santiago Vilella Marques (*07, 02/1967 – 03/11/2018) também professor da Unemat, (pseudônimo de Paulo Sérgio Marques) nasceu na capital paulista e mora em Mato Grosso. Publicou Correspondências (Contos, 2012), Sósias (Contos, 2015),  os livros de poesia Primeiro (2004), Outro (2008) e Três tigres trêfegos (2010, coautoria com Juliana Roriz Aarestrup e Henrique Roriz Aarestrup Alves),  Ângulo bi (2002, coautoria com Marcelina Oliveira, Paulo Sesar Pimentel e Gisele Mocci).

13 outubro, 2018

Vagner Braz

Cores de um piquenique

Eu tenho
inveja do arco-íris
Pois, ele sempre aparece para abraçar a chuva e o sol
Numa união entre diferentes
Iguais nos processos de sorrisos

11 outubro, 2018

As Valiosas Bugigangas de Divanize Carbonieri, por Eduardo Mahon

Por Eduardo Mahon | Em qualquer inventário, sobretudo o literário, importa tanto saber o que está arrolado, quanto o que está esquecido. É que o que o autor não diz pode ser mais importante do que a própria escrita. Esse tipo de arrolamento é prazeroso em autores que escondem propositalmente a intenção, ou ainda, escondem-se nas palavras. Talvez tenhamos aí um bom termômetro para mensurar a densidade de uma obra e, por isso, quero destacar a poeta Divanize Carbonieri que pipocou pronta para o consumo nacional, temperada com sal e pimenta, nas duas obras publicadas recentemente pela Editora Carlini e Caniato – Entraves e Grande Depósito de Bugigangas.

31 agosto, 2018

Publicado na Folha de S. Paulo: Morre o poeta e artista visual Wlademir Dias-Pino, aos 91 anos, no Rio

Fundador da poética construtiva no Brasil, liderou o poema-processo e criou obras seminais

Wlademir Dias-Pino
Por Adolfo Montejo Navas, em 30.ago.2018

O poeta Wlademir Dias-Pino morreu nesta quinta-feira (30) , aos 91 anos, em decorrência de uma pneumonia, no Rio. Ele estava internado desde o dia 13 de agosto.

A cerimônia de cremação acontece neste sábado (1º), às 16h, no Cemitério do Caju, no Rio.

Wlademir Dias-Pino foi autor de uma obra visual e gráfica extensa que chega até hoje.

Começou jovem, pela poesia, com livros que escapam do contexto da época e do cânone da Geração de 45, "A Fome dos Lados" (1940) ou "O Dia da Cidade" (1948), ainda mais sendo editados em Cuiabá, onde morava desde 1936, em razão do exílio forçado de seu pai, anarquista. Era, portanto, um lugar fora das capitanias do litoral, como gostava de salientar em seu ideário geopolítico.

29 maio, 2018

Etevaldo de Almeida

Antropofagia, a psicologia da fome


Seus olhos são lindos como zumbido de abelha no preparo do mel.
Seus olhos são lindos como romãs - cheios de olhinhos rosados.
Seus olhos são lindos como tomates maduros na roça.
Seus olhos são lindos como mamões maduros no pé,
como chiado de carro-de-boi carregado,
como lufada de lambari rio abaixo,
como vôo de pomba no mato,

27 maio, 2018

25 maio, 2018

Américo Corrêa

MINHA NEGUINHA


A sua pele negra
de breu pálido.

Essa boca risonha
de dentes alvos.

Esses olhos morenos
que me deixam mudo.

Esse corpo convite
que caminha solto.