domingo, junho 9

O passo do instante: Lucinda Persona lança sétimo livro de poesias



A nova obra da imortal da Academia Mato-Grossense de Letras será apresentado ao público no dia 14 de junho, no Sesc Arsenal
Por Maria Clara Cabral / O Livre | Sinalizando a escrita como “um modo de sobrevivência e celebração” já nas epígrafes de Clarice Lispector e Walt Whitman, Lucinda Persona fala das coisas que nos cercam em seu novo livro de poesias “O passo do instante”. A imortal da Academia Mato-Grossense de Letras apresenta a obra ao público no dia 14 de junho (sexta-feira), às 19h, no Sesc Arsenal.
Paisagens (urbanas ou não), atmosferas noturnas, memórias e amores. Sétimo livro da escritora “O passo do instante” revela, já nos primeiros versos, o fascínio pelo fazer poético em si, ao mesmo tempo que se defronta com difícil causa.
“Sem perder contato com o simples, maximizando o mínimo e acercando-se cada vez mais dos elementos cotidianos, a poeta permeia o diário viver de todos nós, ora com rajadas de alegrias, ora com olímpicas tristezas. Nada fica de lado, nem o que foi luz, nem o que foi sombra”.
Editado pela Entrelinhas em comemoração aos 25 anos da editora, o livro é apresentado pelo crítico literário Marcos Pasche, professor de Literatura Brasileira da UFRJ e Raquel Naveira, escritora, crítica literária e professora universitária. A capa é ilustrada pela obra “Pepalantus”, desenho digital da artista plástica Regina Pena, que também ilustrou a capa do seu livro anterior, “Entre uma noite e outra”.
A autora dedica o livro ao seu filho Walter Gustavo “que em sua vida curta foi a própria encarnação do instante”. E abre as páginas do seu livro com uma pergunta que vai direto ao mais profundo do coração e da alma: “Quem poderá deter o instante que não para de morrer?”, da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen. Prepara, assim, o espírito do leitor para o que virá: os poemas apresentados em duas partes, “Sobrevivências” e “Celebrações”.
“’Passo’ é uma partícula de caminhada; ‘instante’, uma faísca de tempo. De um livro que em seu nome estampa esses termos, pode-se esperar a captação de lampejos existenciais. […] Que por início, então, a jornada da leitura se inicie e desperte vigor e encantamento”, convida o crítico literário Marcos Pasche.
Sobre a autoraLucinda Nogueira Persona é poeta, escritora e membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Nasceu em Arapongas, no Paraná, e reside em Cuiabá, Mato Grosso. Graduada em Biologia pela Universidade Federal de Mato Grosso, mestre em Histologia e Embriologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com estágios profissionais na Universidade do Chile. Foi professora na UFMT e Unic, até se aposentar.
A autora publicou os livros de poesia Por imenso gosto (1995), premiado pela UBE em 1997, Ser cotidiano (1998), Sopa escaldante (2001), premiado pela UBE em 2002, Leito de acaso (2004), Tempo comum (2009) e Entre uma noite e outra (2014). Publicou na literatura infantil e integra várias antologias. Colabora com jornais e revistas mato-grossenses escrevendo crônicas, contos e resenhas.
Serviço
Lançamento: do livro de poesias “O passo do instante”, de Lucinda Persona.
Editora: Entrelinhas
Valor do investimento: R$ 40 (no lançamento)
104 páginas; capa ilustrada pela artista plástica Regina Pena
Quando: 14 de junho (sexta-feira) de 2019, a partir das 19 horas
Local: Sesc Arsenal (salão da Choperia) – Rua 13 de junho, s/n, Porto, Cuiabá-MT
(Com assessoria)

segunda-feira, junho 3

Santiago Villela Marques


Adiantado 


Enquanto busco meu destino
minha vida não me espera:
permaneço em mim menino...
e vai sumindo quem eu era.
Pra saber aonde ia
o que em mim pensei ser eu
confiei na estrela-guia
e a estrela minha se perdeu.
Entrei sempre na saída
e pra mim sempre previ
vida dada e não vivida.
Vida veio e não a vi.

O escritor Santiago Villela Marques (*07, 02/1967 – 03/11/2018) também professor da Unemat.

segunda-feira, abril 8

Aurelina Haydée do Carmo

CUIABÁ

CUIABÁ!  Nós te amamos,
Do PORTO à CIDADE
Da 15 de NOVEMBRO
À avenida GETÚLIO VARGAS.

Assim diziam os pioneiros,
Mas a cidade expandiu,
Bairros e mais bairros foram surgindo .
Como num piscar de olhos explodiu.

CUIABÁ,  és nosso encanto
Tem características próprias

Bem aí está o PANTANAL
E mais ali está a CHAPADA

CUIABÁ ! logo, logo completará
Trezentos anos de existência
E o povo de todo PLANETA
Chega sem pedir licença.

Nem precisa, pois tem espaço prá todos
Estamos no CENTRO GEODÉSICO da AMÉRICA do SUL
Bem vindos são :
Os do Norte, Nordeste, Oeste, Leste e Sul.

Rios piscosos temos
Frutas nas ruas e quintais aos montões
Aqui todos dão as mãos
Por isso atrai multidões

CUIABANO é povo amigo
Recebe de braços abertos
Todos que procuram abrigo.
Venham...que aqui tudo dá certo.

Ah! CUIABÁ
Como gostamos de você!
Por isso aqui estamos

E, aqui queremos viver.
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Professora Aurelina Haydêe do Carmo - Aposentada do Departamento de Antropologia da UFMT.

segunda-feira, abril 1

Aurelina Haydee do Carmo

Doce Bom, Furrundu


Saudades do tacho de cobre
Lavado com vinagre e sal
Tirando todo zinabre
Amarelo como o sol

Vamos ao quintal
Mamão macho, mamão
fêmea, talo de mamão
Tanto faz, ralo, ralo até doê a mão
No ralador que ninguém tem igual

Pouca lenha, pouco fogo
Colher de pau, nenhuma fumaça
O Doce ficou famoso
Pois o perfume ameaça

Uma colherada por vez
Ninguém resiste
Prova uma, prova duas, prova três
Fica triste, não, ninguém desiste

Do Porto à Cidade
Eta cheirinho bom
O lambe beiço não é novidade
É mais gostoso que um bombom

Caminhei toda a prainha
Na companhia de minha madrinha
Quando vinha, atravessei o Campo do Bode
Vê se pode. Parei na Bispo, só prá bispar.

O cheiro era um só e comecei a enxergar
Avistei Rua de baixo, Rua do Meio, Rua de Cima.
Que felicidade, encontrei na cidade
O Furundu que me anima

quarta-feira, março 27

Luisa

Sobre o Rio
Descem remos sofridos...
No arvoredo verde à dura sombra,
crespas ondulações que as violas tangem
cadenciando as remadas...
Barcos temporais do destino ignoto.
Acordes que acordam a lua de prata com
música 

terça-feira, março 19

domingo, março 3

Santiago Villela Marques


Pela metade 


A vontade que aqui me guiou
nunca me quis terminado:
sempre me opôs ao que sou...
e ao lado que fez, outro lado.
Nunca me deu a certeza
de ser por inteiro o que fiz:
metade de mim fez tristeza
e a outra metade feliz.

quarta-feira, fevereiro 20

Mourivaldo Santiago


...NUVEM – CAMA...
... ÁGUA – LICOR...
...PÁSSAROS – VITROLA...
EM NÓS O AMOR SE ENROLA...

quarta-feira, fevereiro 13

Sérgio Fernandes

Prazer... prazer... prazer...  prazer... prazer...
Seio cósmico! Bundas nucleares: Pênis capitalistas!
Cópulas da fome! Anus dos agrotóxicos!

segunda-feira, fevereiro 11

Eduardo Ferreira


face a face
o destino rasga
a carne dos desejos
e tece a vida
em laços
pedaços geométricos
de incertezas...

quinta-feira, fevereiro 7

Santiago Villela Marques


Poema Oculto 


Dos versos que fiz, o melhor
é aquele que não vou escrever,
que, por medo ou excesso de pudor, ...
de um aborto espontâneo quis morrer,
pra não ter que falar da minha dor
e ocultar na palavra o que é sofrer.

quarta-feira, fevereiro 6

João Batista da Silva

Antecipo a primavera
me vejo uma coruja
neste galo de vida
coruja que não te agouras,
mas que te afloras.

domingo, fevereiro 3

sábado, fevereiro 2

Luciene Carvalho

Canção Noturna para Marielle Franco

Que tiro foi esse???

Que tiro foi esse???

Perguntava alienado meu país

Que tiro foi esse???

Acaso querem que eu creia

Que fosse bala perdida

4 na mesma cabeça

Calando a voz e a vida?

Foi só mais uma morte

Em meio a tantas outras?

Ledo engano...

Essa negra, há 2 anos

Era voz de 46 mil votos

Eco de milhões de outros

sexta-feira, fevereiro 1

(Carioca)

Identidade
O pobre passa a vida
respondendo “sou eu”
enquanto o rico,
a cada gesto,
revela seu rosto,
seu jeito,
seu gosto,
seu gasto
e afirma: “Eu sou!”

quarta-feira, janeiro 30

terça-feira, janeiro 29

segunda-feira, janeiro 28

Antônio Peres Pacheco

Fogo e Sangue


Arde em meu peito a chama
Da esperança resiliente
Enquanto meus pés marcham
Ao som de taróis e clarinetes 
- Rumo às trincheiras das praças
Minha alma inquieta indaga em silêncio
Quanto de miséria e fome
Ainda se espalharão na terra,
Antes que se satisfaçam
Com nossas carnes e vidas 
Estes animais infames?
Nas mãos trago minhas armas

quinta-feira, janeiro 3

Santiago Villela Marques

O Outro

Mora um homem em mim
que nunca em mim se fará.
Chora por vir aonde vim...
e querendo por mim morrerá.
Fez-nos a vida assim,
um para o outro ocultar.

sexta-feira, dezembro 7

Pedro Trouy


OUTRORA


Da primavera ao sol, que além se erguia,
Como uma hóstia de luz em pleno espaço,
Nós nos amamos... que profundo laço
Nossas almas em flor então unia!

Teu lábio tinha auroras de alegria,
Rosas tinha o vergel, e no terraço
Trilavam passarinhos ... Como escasso,
Fugindo, pouco a pouco o tempo ia!

quarta-feira, dezembro 5

José Zeferino de Mendonça

SONETO

Vosso nome será sempre lembrado
enquanto em Cuiabá houver viventes
passando de umas gentes a outras gentes
a fama do varão o mais honrado

No Foro tendes vós perpetuado
instruções sábias, justas e prudentes;
e nos pleitos deixais todos contentes.
pois sabem que só a bem sois inclinado.

segunda-feira, dezembro 3

Santiago Villela Marques

Primeiro 


O fim primeiro que tudo,
um jeito de acabar o mundo
feito um deus enjeitado ...
anjo aturdido
e atirado ao fogo de seu próprio abismo e castigo.
O naufrágio de toda firmeza
antes de elevarem-se as terras
que homem possa pisar
como nuvens e águas.
A morte primeiro que as outras
— abrir de estradas num fechar de olhos
— mão no solo sagrado do outro
não para o roubo da flor
mas de entrega do novo grão
e de cinco dedos na alma
como no chão da primavera
as raízes da promessa.

sábado, dezembro 1

José Tomás de Almeida Serra


Câmara de Virgem

Quando a luz do luar bate-lhe em cheio
Nas formas de primor escultural,
Julgo fitar a Vênus sensual,
Num langue, voluptuoso devaneio...

Na suave ondular do lindo seio,
Julgo ouvir uma música ideal,
Que me transporta à plaga celestial
De uma aurora louçã ao bruxuleio.

Indalécio Leite Proença


Se a Bahia é boa terra,
Mato Grosso inda é mio;
Pau-rodado cria proa,
Furta bem, enche o bocó.

Dom Benito já tá feito;
É sapão de Tês Lagoas
A questão é só de jeito
Pois o resto vai à toa...

Decorrido argum tempinho,
Ele vai pra Relação
Salvo se no seu bentinho,
Não tivé mais devoção.

quinta-feira, novembro 29

Frederico Augusto Prado D’Oliveira

Pensando em ti

Quando me lembro que por um instante
ocupei teu ingênuo pensamento,
e traindo talvez teu sofrimento,
fiz corar teu angélico semblante:

quando penso que num feliz momento
logrei prender o teu olhar brilhante,
e que por mim pulsou teu inconstante
coração juvenil, de amor isento;

terça-feira, novembro 27

Antônio Tolentino de Almeida


Cor Lapidis

Se a mágoa que me fere, assim sanhuda,
Um termo não tivesse, pra curá-la,
Bastava apenas escutar-te a fala,
Se não falasses ... ver-te, embora muda:

Pensava assim. Mas, entretanto, cala
A mesma dor no coração aguda;
O teu sorriso o meu sofrer muda,
O teu desdém somente apunhala.

domingo, novembro 25

Antônio Gonçalves de Carvalho

Flor de Neve


Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, gerada
Da fria viração ao tênue sopro
À luz da lua, aos beijos duma fada.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor, mais bela
Que brilhando na eterna imensidade
Fanal de amor, - adamantina estrela.

Se a neve fosse planta e flor tivesse,
Tu serias da neve a flor tão pura!
Ah teriam em ti achado os homens
O símbolo do mais cândida ventura! 

sexta-feira, novembro 23

Antônio Cláudio Soído


MILAGRE


Quando, senhora, vos envio ou dou-vos
Tão escuro presente,

Que idéia tive eu, que pensamento
Me atravessou a mente?

Do vegetal combusto oferecer-vos
Pulverulenta quarta!...

Mas deixai-me falar e, após, senhora,
Ride até ficar farta.

quarta-feira, novembro 21

Amâncio Pulcherio de França

Outrora e Hoje

Meu Deus, que gelo, que frieza aquela! C. de Abreu

Meu Deus, que gelo que frieza aquela,
Que indiferença nos olhares seus
Vejo outra nuvem no horizonte de hoje,
Negra coberta nos azuis dos céus!

Tivera flores meu jardim de outrora,
Tivera rosas de perfume eterno,
Mas hoje as flores sem aroma, secas,
Parecem flores do jardim do inverno.