10 junho, 2016

Lobivar Matos

Lavadeiras


A manhã, – lavadeira velha –
esfregou o sol
e o estendeu na terra pra secar.

As casinhas de madeira
tortas
beiçudas
remendadas de lata

circulando o morro,
abrem os olhos, que são janelas quebradas,
e ficam olhando o rio
que, sinuoso,
passa, correndo, em baixo.

Umas mulheres gordas
carregando bacias de roupa na cabeça
descem o morro e vão à beira do rio.

São as lavadeiras.
As mulheres heroicas,
que trabalham para sustentar os filhos,
aqueles meninos amarelos e barrigudos
que ficaram em casa
choramingando uma choraminga de fome.

São as lavadeiras.
As mulheres conformadas,
que apanham dos maridos,
dos maridos vagabundos,
dos maridos jogadores,
que bebem cachaça nos boliches
e, depois, em casa, espancam os filhos,
descompõem as mulheres,
em vez de trabalharem também!

2 comentários:

Alla Leopoldina disse...

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Rubem Dutra disse...

Falando da lavadeira, fiquei muito feliz são pouco os poema que ilustra a profissão deles, pois muitos dos grandes homens honrados, são filhas é filhos de uma delas, muitas me vem a memória das bonitas história, os filhos de uma delas são poucos que se desviaram do bom caminho, parabéns Sr.Lobivar vou brincar um pouco com o senhor: amigo que Deus possa sempre te iluminar, ter boa ideia para nos fazer recordar, coisas boas que o tempo vem apagar,pois hoje em dia as nossa mente vazias, a vida presente nos deixam incoerente, tudo passam tão der repente, logo venhamos o morrer nem tivemos tempo pra viver, abraços