04 fevereiro, 2018

Carlos Castro Brasil

Ânsia eterna


Subi ao último degrau do sonho!
O que sinto, o que vejo? Treva e poeira...
E esta febre, e este anseio, e esta canseira,
sem ver nada, onde quer que os olhos ponho!

Mas não! Eu vejo sim. É uma caveira,
o fantasma terrível e medonho
que sumiu no deserto ermo e tristonho
com a minha esperança derradeira.

O que resta de tudo que hei sonhado?
A alma desesperada, como um louco,
dentro desta carcaça de humilhado...

E, assim, numa agonia demorada,
sinto que já me invade, pouco a pouco,
a formidável sensação do Nada...

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