23 fevereiro, 2018

Carlos Gomes de Carvalho

O Pônei


Em minha garganta,
um pônei nervoso dança angustiado
envolto em nuvens
...vai e volta
ele vai e volta
...vai e volta,
quer escapar.

Poeira cósmica invade suas narinas
...ele vai e volta,
não encontra saída
...vai e volta.


Uma dor intensa percorre seu corpo
cansado e suado, muito suado.
O pônei atropela as paredes da garganta;
ele se debate – como um homem ferido.
Ele, o pônei, está ofegante e se debate;
está triste, muito triste e exausto.

...................................

De repente,
trôpego e irresoluto, o pônei dispara
para o interior de minha garganta.
Então, sinto que o mundo desaba
e vejo que, entre nós,
tudo é escombro.

Nada mais resta
entre nós,
nada mais resta.
É o fim.
O mundo desaba.

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