07 fevereiro, 2018

Eurycles Mota

Cansaço


Tenho a alma tão velha e cansada
que um só desejo me anima: esquecer.
Dá-me, pois, sábio Khayyam, a ânfora consoladora,
quero embriagar-me e sonhar.

Minha janela se abre, num convite ao sonho
para a suavidade loura da tarde tropical...
Nuvens sonolentas vão rolando no horizonte,
por sobre a verde mansidão das montanhas,
– e anda em tudo um silêncio de exaustão,
um desejo de paz indefinido
que, languidamente, se estremunha no ar...

Enche-me a taça, amada minha,
e dá-me um beijo;
quero esquecer e sonhar...
Contar-te-ei, agora, histórias tão lindas,
que, certo, iguais nunca ouviste;
histórias que falam de amor
e de um mundo justo e perfeito.
Era uma vez...

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