27 fevereiro, 2018

Hélio Serejo

A adúltera

Avança a turba torva e alucinada;
para na praça e grita fortemente:
— Manchou o lar! Será apedrejada...
E gesticula e fala, impaciente...

Ergue do chão o olhar o Nazareno
e para castigar a que pecou,
tão cheio de indulgência quão sereno,
pergunta: — Qual de vós que nunca errou?


Silêncio intenso. E a massa vil, mesquinha,
do Deus onipotente se avizinha,
beija-lhe os pés e vão-se, os fariseus...

Quantos existem por aí, na vida,
que censuram a falta cometida,
sem refletir, jamais, nos erros seus!

Nenhum comentário: