12 fevereiro, 2018

Ísis Marimon


Esquizofrenia


Existe uma voz dentro de mim
mansa e imperiosa, permanente e fatídica.
Ela sabe coisas que eu mal pressinto.
Grita, tão baixinho, certas verdades,
que mal consigo escutar.
Fico sem saber se sou vento,
pensamento, ou apenas movimento
à mercê dos vendavais sem tempo.

– Sou o quê? – E a voz se cala.
Existo ou sou miragem? Nada a voz me fala.
E eu permaneço na noite, terrena e ignara,
no movimento cósmico infinito de ir e vir, sonhar e realizar.
– Crer ou duvidar? – A voz vacila.
Tange as cordas de sua harpa,
lançando no ar... quase uma música,
mais parecendo um suspiro de anjo,
uma tela pintada por Deus,
ou o voo de um beija-flor.
– Crer ou duvidar?
Espero a voz... Ela não vem.
O anjo bate as asas e me fita diretamente nos olhos.
A tela de Deus se enche de mais luzes e matizes
e o beija-flor decide fazer seu ninho em meu jardim.


O universo retorna ao ovo
e eu retomo o meu caminho
entre as estrelas e o sol
onde a lua encontra o mar.

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