07 março, 2018

Antônio Tolentino de Almeida

A mato-grossense


Quanta ternura o seu olhar revela!
Que negro lustre tem o seu cabelo!
Que rosada e sutil a cútis bela
e o seio, um ninho do maior desvelo!

Qual da palmeira bem a prumo é o dela
formoso talhe: quem não pensa ao vê-lo?
Que música no andar, que olhar tem ela
que nos provoca a um amoroso apelo!



Morena Vênus desta terra amada,
quem a vê, tão singela de artifícios,
não diz que a alma possui ardente e ousada,
nem supõe, nesse aspecto langue e brando,
que é capaz dos mais duros sacrifícios,
mesmo na guerra, entre os canhões troando!

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