04 março, 2018

Maria Ligia Caviglioni

Desencanto


ninguém ama por engano
nem supõe que um dia
vem o desencanto
senão não amaria tanto
ao ponto no peito ser pranto

mas se (desen)canto
a melodia
a partida
a poesia
me deito nas lembranças 
meu alento e descanso


e quando o coração
deixa de amar
o corpo deixa de gozar
os olhos já não fazem brilhar
e o próprio amor, ser amor
deixa de acreditar

Ou quem sabe é o se negar
que tua partida
causa uma úlcera no peito
aberta ferida
é só o fim da paixão
que nunca será esquecida

e no desencanto
que o tempo fia
o amor morre no
nascer do verso
que em reverso 
faz outra poesia

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