18 março, 2018

Otávio Cunha Cavalcanti

Inveja


Não tenho pão nem peixe. Pouco tenho
que oferte aos meus irmãos necessitados.
Sou viajor, e de muito longe venho,
tentando combater os meus pecados.

Bem pouco vale o meu teimoso empenho
de querer amparar os desgraçados...
Um cirineu não leva mais que um lenho,
mas eu tenho milhões de irmãos cansados!...

Vi na tua alma o brilho da clemência,
vi tuas mãos vazadas pelos pregos;
deste-me o dom de crer noutra existência!

Tenho inveja demais do teu poder:
erguendo os mortos, dando vista aos cegos...
Nada disso, Jesus, posso fazer!

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