30 março, 2018

Ronaldo de Castro

Meninos de rua


Um crime sob os céus se perpetua,
que à bandeira da pátria traz vergonha...
É o desfile da infância seca e nua
a transpirar miséria, fel, maconha.

Qual lixo humano, soltos pela rua,
são meninos sem pais, a voz tristonha
a pedir pão, mostrando a face crua
da dor de quem não come e quem não sonha.

A rua, amarga escola de bandidos,
é o palco dos meninos preteridos
pela nação que não é mãe – é algoz...

Ó pátria desgraçada!... Os maltrapilhos
da rua, eles também são vossos filhos
– apertai-os no peito junto a vós!

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