19 abril, 2018

José Bonifácio de Albuquerque

O passarinho


Ao ver um dia, preso na gaiola,
um passarinho que gorjeava triste,
num trinar, onde só a dor consiste...
Qual prece humilde que p’ra o Céu se evola!

Inquiri: — Quem te faz pedir esmola
da liberdade, que também te assiste?!
Cuja cena, minh’alma não resiste
porque teu trino só me desconsola!...

E meu filho confessa essa verdade:
“Sou eu quem prende a pobre criatura;
mas não foi por maldade!”.

E, comprovando a mera travessura,
abre a gaiola e diz co’ingenuidade:
“Busca teus Lares, onde tens ventura!”.

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