02 abril, 2018

José Raul Vilá

Lapidador de lágrimas


Feliz quem pode, da infinita dor
no inevitável pego tumultuário,
desabafar, em rútilo rosário
de lágrimas, seu agro dissabor.

E no ádito dos sonhos, com primor
cristalizar o pranto refratário,
qual na oficina o testo lapidário
trabalhando da gema o áureo lavor.


Feliz quem como tu, mestre querido,
tem o condão secreto e apetecido,
da arte augusta no mágico esplendor,

de converter em pedras rutilantes,
em safiras, topázios e diamantes,
as suavíssimas lágrimas da dor.

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