07 abril, 2018

Moisés Martins

Cadê seus becos?

Em cada esquina, um “chinfrim”,
um bêbado alegre, trançando as pernas, “ansim, ansim”.
Beco sem cara, chamado “Chico”,
sem moagem, sem fuxico,
sem vira-lata que late,
sem biscate, sem donzela
namorando na janela.
Sem feijoada na panela,
sem carrinho do peixeiro, sem o grito do padeiro,
sem pagode, sem rasqueado, não é Beco não!
Onde andam os meus becos,
do Sovaco, Quente, Torto, Urubu,
São Gonçalo e Candeeiro?...
Cadê meus becos? Cadê meus becos!
Entre prédios e arranha-céus, abafados,
morrendo... Tudo que Deus me deu
sepultado pelo tempo!

#Cuiabá300

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