21 maio, 2018

Carlos Lisboa

O Tempo

Já me sinto com longa e densa idade
como se os anos dessem-me licença
para cantar as dores com verdade
e o futuro ver com indiferença.

Percebo que o porvir é uma sentença
que sempre ilude o olhar, igual vaidade
como se fosse, a fé, contrário a crença
de quem na morte almeja liberdade.

Se o passado nos fere constante a alma?
Se ele não traz encanto e nos acalma?
Por que o tornar presente de hora em hora?

Se nada há de tangível no horizonte?
Por que nós o entendemos como fonte
duma felicidade ausente agora?

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