03 maio, 2018

Lamartine Mendes

Domingo de procissão


Sinos. Há festa no povo.
Enorme, quente, loução,
o sol é uma gema de ovo
pendurado na amplidão.

O céu, no vestido novo
das nuvens cor de algodão,
ri, de alegre, para o povo.
Domingo de procissão.

Vivas. Uma voz de vozes
absurdas, surdas, velozes,
da rua guaiando vem.

Quem há que essa voz entenda?
É o vento. Volta da venda.
Está bêbado também.

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