15 maio, 2018

Marilza Ribeiro

Sensualidade vegetal


Flor do cerrado
         desabrocha
escancarando sua cor
    na ramagem verde-veludo
que aguarda
     ingênua
as mãos de ferro
que lhe exterminam
        a existência.

Cor dourada
reluz como útero sagrado
          no ventre da mata
como terna canção brotada
          do fundo da terra.

O sol explode seu calor
       por sobre a tarde acesa;
abraça-lhe as pétalas macias
      com seu gesto de fogo...

A flor do cerrado
   adormece
por entre o colo da noite
   num arrepio tênue
ao sentir, sonolenta,
   a sensual carícia do luar...

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