23 novembro, 2018

Antônio Cláudio Soído


MILAGRE


Quando, senhora, vos envio ou dou-vos
Tão escuro presente,

Que idéia tive eu, que pensamento
Me atravessou a mente?

Do vegetal combusto oferecer-vos
Pulverulenta quarta!...

Mas deixai-me falar e, após, senhora,
Ride até ficar farta.
Da água do mar, enjoativa, amarga,
Extrai o sol a chuva tão querida;
Em seu laboratório a terra muda
O vil adubo em condição de vida!

A arte humana, sombra da divina,
Também transforma escórias num tesouro,
E vós, que possuís em alta escala,
Podeis mudar esse carvão em ouro.

Antônio Cláudio Soído

Nasceu no Espírito Santo, a 26 de abril de 1822. Veio para Mato Grosso em 1857, e faleceu em Cuiabá, a 12 de maio de 1889. Um século depois de José Zeferino Monteiro de Mendonça, surge o segundo poeta em Mato Grosso. Publicou: Diário do Rio de Janeiro; O Pirata ( poema traduzido de Lord Byron); Lembranças de Montevidéu; A menina Oriental; Para os Pobres ( tradução de Vitor Hugo); O Batel (poemeto).


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