01 dezembro, 2018

Indalécio Leite Proença


Se a Bahia é boa terra,
Mato Grosso inda é mio;
Pau-rodado cria proa,
Furta bem, enche o bocó.

Dom Benito já tá feito;
É sapão de Tês Lagoas
A questão é só de jeito
Pois o resto vai à toa...

Decorrido argum tempinho,
Ele vai pra Relação
Salvo se no seu bentinho,
Não tivé mais devoção.


Assembléia inté já fez
Lei pra ele e Barnabé
Um conto de réis por mês
Não é mimo pra quarqué.

Alemão em pé de guerra,
Com o governo comercia;
Mato Grosso é boa terra
Supriô à da Bahia.

Sua casa tá vazia,
Mas o bispo lá não mora;
Pra fazê economia
Come Orlando ali na hora

João Cunha já batizou
Todos o fio que ele tem
Isaac se riu, caçoou
Mas vai imitá também.

Indalécio tá catuba;
Cabra véio não molece,
Passa à brisa com jacuba,
Mas não fez inda uma prece!

Januário diz blafema
E dos padre pesa o calo
Mas vai tocá no cinema
Pras obras de São Gonçalo.

Indalécio Leite Proença´, cuiabano, nasceu a 8 de maio de 1883, e faleceu em Corumbá, a 4 de abril de 1939. Era poeta satírico. Publicou apenas um folheto, Sátiras Anônimas, assinado Um cuiabano, satirizando o governo Dom Aquino Correa.

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