03 dezembro, 2018

Santiago Villela Marques

Primeiro 


O fim primeiro que tudo,
um jeito de acabar o mundo
feito um deus enjeitado ...
anjo aturdido
e atirado ao fogo de seu próprio abismo e castigo.
O naufrágio de toda firmeza
antes de elevarem-se as terras
que homem possa pisar
como nuvens e águas.
A morte primeiro que as outras
— abrir de estradas num fechar de olhos
— mão no solo sagrado do outro
não para o roubo da flor
mas de entrega do novo grão
e de cinco dedos na alma
como no chão da primavera
as raízes da promessa.

O crepúsculo primeiro, depois
a manhã.
O futuro antes do parto
o passado adiante suspenso e morto
e o corpo indivíduo
sem deuses,
divino para receber a graça pura e vácua da palavra
prometida em poesia:
no fim o Verbo
para primeiro a Vida.

O escritor Santiago Villela Marques (*07, 02/1967 – 03/11/2018) também professor da Unemat.

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