segunda-feira, janeiro 28

Antônio Peres Pacheco

Fogo e Sangue


Arde em meu peito a chama
Da esperança resiliente
Enquanto meus pés marcham
Ao som de taróis e clarinetes 
- Rumo às trincheiras das praças
Minha alma inquieta indaga em silêncio
Quanto de miséria e fome
Ainda se espalharão na terra,
Antes que se satisfaçam
Com nossas carnes e vidas 
Estes animais infames?
Nas mãos trago minhas armas

Uma caneta e um caderno em branco
Das palavras e versos faço balas
Bólidos mortais para ignorantes e canalhas
Venham, saiam à janela, 
Escancarem suas portas,
Vejam como se morre
Quem de verdade ama sua pátria!
Os últimos passos deixam petrificados 
Rastros nas calçadas da cidade
E pelas sarjetas corre
Um rio de sangue inocente.
É sangue de pobre e preto,
É sangue de mulheres e gays,
É sangue de sem-terras e índios,
É sangue infantil e de operários,
É sangue de milhares,
É sangue de incontáveis incautos.
Venham, abram os olhos e vejam!
A nação há de queimar
A tirania a virar cinzas e adubo
Para fazer brotar a liberdade
Que nossa revolta virá de semear.

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